domingo, 2 de novembro de 2008

"Vida de Cão": jornalistas trocam madrugada pelo dia em prol da carreira

Do Terra

Um telejornal dura, no máximo, uma hora. Mas o trabalho dos jornalistas nas emissoras de TV consome bem mais tempo do que isso. Quem entra no ar às sete da manhã, por exemplo, já está envolvido na produção desde antes das 5 horas.
E aqueles que se despedem dos telespectadores depois da meia-noite, por sua vez, ainda demoram bastante para poderem dormir. O turno da madrugada é uma rotina para muitos profissionais. E eles precisam lidar com dificuldades extras no dia-a-dia de trabalho.

Como afirma Renato Machado, apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil, exibido a partir das 7h15, na Globo. "Nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, chegava à emissora às três da manhã. Quando houve a tragédia do tsunami, fui acordado a essa hora. É comum o telefone tocar de madrugada", afirma o jornalista, que em situações normais está pronto para o trabalho a partir das cinco.

E Renato não é o que começa a trabalhar mais cedo. No SBT, Hermano Henning dá bom dia aos telespectadores da primeira edição do Jornal do SBT às cinco da manhã. Apesar de estar acostumado a trabalhar bem cedo ou bem tarde, já que provou das duas experiências, ele lamenta a falta de convivência com os colegas de trabalho, algo que essa rotina acarreta. "Não desfruto do ambiente social da empresa. Não cruzo com os diretores de jornalismo, por exemplo, porque nesses horários trabalhamos com equipe reduzida, quase sozinhos", queixa-se Hermano.

Um imprevisto pode se tornar um problema maior nesses horários alternativos de trabalho. "Se um entrevistado avisa em cima da hora que não vai comparecer, é complicado substitui-lo", explica Luciana Liviero. Ela entra no ar um pouco mais tarde no Fala Brasil da Record, às oito horas. Mas chega à emissora às cinco e meia.

"Checar uma simples informação com uma fonte às vezes é difícil", completa. Já Renata Vasconcellos, companheira de Renato Machado na bancada do Bom Dia Brasil, diz que não só é acordada antes da hora como também acorda os outros se for necessário. "É comum acordarmos os correspondentes internacionais. E, em último caso, se for necessário acordar um ministro para uma matéria, a gente liga", conta a jornalista.

Renata destaca, no entanto, que o maior sacrifício é pessoal. Com dois filhos em casa, um de sete e outro de nove anos, ela não consegue dormir cedo. "Eles não se deitam antes das 11 e meu dia começa às quatro da manhã", resume.

Luciana Liviero, por sua vez, diz que sente falta mesmo é da convivência com os amigos. "Adoro sair para jantar e curtir a madrugada. Mas não dá. É por isso que quando estou de folga faço questão de dormir as três da manhã", diz aos risos.

Mas há quem goste da rotina de pouco sono e alguns conseguem até se divertir com as dificuldades do horário. A mais animada é Christiane Pelajo, que apresenta o Jornal da Globo ao lado de William Waak. "Chego à emissora às quatro da tarde sem hora para ir embora. Mas saio com o pessoal do trabalho depois do jornal e não tenho problemas em conciliar vida profissional e pessoal", minimiza.

Nadja Haddad, que chega à Band às quatro e meia da manhã para apresentar o Primeiro Jornal diz que sofre para acordar, mas gosta de ter a tarde e a noite livres para resolver suas coisas. O sono, inclusive, já a fez passar vergonha. "Vestir a blusa pelo avesso é normal. Mas já coloquei sapato em um pé, sandália no outro e não vi. Chegando na emissora, fui motivo de piada", conta Nadja, com muito bom-humor. Uma mostra de que mesmo no ambiente sério das redações - e em horários malucos -, a descontração também faz parte do trabalho.

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